NVDA e Ajudas Técnicas

Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009 por ruibatista

Aos caros leitores mais atentos às infindáveis complicações das ajudas Técnicas, Tecnologias de apoio ou lá como lhes gostam de chamar agora, sabem se o NVDA ou qualquer outro projecto live ou open source, é recomendado para esse fim em Portugal?

Pergunto isto pelo seguinte: dos mais de 1000€ que saem dos cofres de todos nós por cada leitor de ecrã comercial que é vendido, não seria possível arranjar uns trocos, seja digamos 10% de tal, para financiar projectos como o NVDA? Diria, numa perspectiva sonhadora mas não utópica, que a médio / longo prazo, seria uma boa redução de custos para todos e um, por certo, um melhor leitor de ecrã para ainda mais.

Não se trataria da primeira vez em que entidades públicas financiariam projectos livrs / open source, um exemplo flagrante está na distribuição linux Caixa Mágica que corre nos famosos computadores Magalhães[1]

Voltando ao NVDA (outros produtos existem em condições parecidas), poder-se-ia argumentar que não existe suporte oficial a este produto, nenhuma entidade formadora, etc. etc. etc. Pergunto eu, existindo suporte para os leitores de ecrã comerciais, será esse suporte acessível, eficaz, e do agrado a todos os que os possuem? Não se trata de qualquer questão retórica mas sim duma real averiguação.

E por aqui me fico, convidando os caros leitores a opinarem nos comentários, que é para isso que eles aqui estão.

1 A qual, diga-se de passagem, não tem qualquer preocupação com a acessibilidade a pessoas cegas.

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6 Responses to “NVDA e Ajudas Técnicas”

  1. Cleverson Casarin Uliana diz:

    A NVAccess não pode ser considerada uma entidade que dá suporte oficial ? Por quê ?

    Mas acho ótima a idéia de patrocinar o projeto. Fico imaginando a que alturas poderia chegar o NVDA se cada país ajudasse um pouco, mas se apenas alguns como Portugal o fizerem já será muito.

  2. Ângelo Abrantes diz:

    De um modo geral, o artigo está bem feito. Porém, para que isso fosse possível, o que seria desejável e interessante, tornar-se-ia necessária uma mudança na legislação das atribuições técnicas. Como apresentar orçamentos de produtos que não são vendidos? Admitindo que haveria uma forma de ultrapassar essa situação, como afastar os oportunistas, que sempre aparecem nestas coisas?

  3. ruibatista diz:

    Viva,

    @cleverson: Diria que em Portugal não visto ser uma organização Australiana, e, em boa verdade, não oferece nenhuma solução comercial de suporte ao NVDA. Estranho que só pagando é que parece que se considera alguma coisa válida…

    @Angelo: Pois, eu não conheço a lei, mas se é sempre necessário um orsamento é complicado colocar lá algo que não seja pago, muito mais nas cabeças pensantes de quem aprova esses ditos orsamentos. Além disso, não sei se as empresas que lucram com as ajudas técnicas (Tiflotecnia, Certec, Ataraxia…), que são negócios válidos como quaisquer outros, não bloqueariam qualquer tentativa de financiamentos a projectos como o NVDA, ou, por outro lado, tentarem ganhar o seu com isso. Noto que ao fazerem-no estão no seu direito, e uma colaboração entre o open source e o mundo empresarial dá sempre bons resultados, quando feita numa prespectiva inclusiva e não simplesmente lucrativa. Porque não as empresas citadas darem suporte a produtos livres como o NVDA? Existem muitas empresas que dão formação em linux, MySQL, php… tudo tecnologias open source.

    Não sou um conhecedor da lei das ajudas técnicas nem dos reais modelos de negócio da tiflotecnologia em Portugal, a não ser dos eitores de ecrã, mas penso que os pontos que aqui esponho nºão são de todo inválidos.

  4. Cleverson Casarin Uliana diz:

    Pelo que sei a NVAccess de fato só recebe doações, quando já deveria ter algum modelo de venda de suporte como tem por exemplo a Red Hat para a distribuição de Linux que se pode baixar de graça mas cujo suporte só se consegue pagando. Assim seria possível por exemplo alguém como você negociar com o pessoal da NVAccess para abrir uma filial em Portugal e então partir para convencer o governo daí e demais empresas do ramo a colaborarem.

  5. diogo diz:

    @Rui: Parece-,eque no caso do NVDA e das empresas tiflológicas as coisas sejam mais complicadas. O NVDA para elas vai somente roubar um lugar que as mesmas já têm com os seus leitores de ecrã comerciais e é por este motivo que me parece que a ideia das empresas ajudarem não será bem recebida.

  6. ruibatista diz:

    @Diogo: Eu sei que vai complicar a vida. A questão é que a lei (no caso das ajudas técnicas mas qualquer outra) serve para facilitar a vida aos cidadãos e não a complicar. Nas condições actuais não considerar o NVDA como possível ajuda técnica é um erro. É que reparem, o maior problema em cada JAWS, ou Window-eyes ou … que o nosso estado paga não está nos distribuidores portugueses mas no dinheiro que os nossos contribuintes mandam para o exterior sem saber bem como! Se não existe vontade dos suspeitos do costume (e não tem que existir, cada um bate-se pelo que mais lhe convem) pode existir a nossa vontade. E não vai ser com sinseros pedidos aos senhores que fazem as leis, nem com a Acapo nem com ninguém Primeiro há que nos organizarmos seraimente e depois, com um real entendimento do que se pode ou não fazer quanto à questão do open source nas ajudas técnicas, começar a agir.