Recomendações Sobre Interacção Com O NVDA em Salas de Aula
Com apenas dois anos e alguns meses, já é possível utilizar-se o leitor de ecrã livre e open source NVDA não só para o dia-a-dia em casa mas também no trabalho. Irei abordar neste artigo alguns aspectos da utilização do NVDA em salas de aula mas saliento desde já alguns aspectos que são na minha opinião barreiras para que os estudantes portugueses usem este leitor de ecrã.
Por muito estranho que possa parecer, um dos aspectos principais prende-se com a licença GPL. Ou melhor, com o facto que o NVDA é gratuito. Não, não estou a brincar e nem tal coisa me passaria pela cabeça… Como habitualmente os leitores de ecrã são pagos, a possibilidade de se instalar alguma tecnologia de apoio que não o seja é simplesmente impossível. Claro, se não houver dinheiro (como é habitual) para a compra de leitores de ecrã (basta dar-se um passeio pelo nosso país), a realidade é que muitas e muitas escolas têm leitores de ecrã pirateados, não havendo grande hipótese de combate a isso da parte das empresas tiflotécnicas portuguesas.
Os outros obstáculos referem-se à qualidade da voz do sintetizador eSpeak e ao desconhecimento das funcionalidades deste leitor de ecrã ao interagir com as aplicações comuns.
Algo que desde já tem-se que ter em mente é que o NVDA é um leitor de ecrã inclusivo, ou seja, tenta aproximar de uma forma lógica a realidade da apresentação das informações presentes no ecrã da imagem sonora que é transmitida. Um exemplo muito simples é o facto do botão “pesquisar” do Google aparecer ao lado direito da área de edição quando abrimos a página e quando já procurámos alguma coisa, o botão salta para baixo da caixa de texto. Por norma, a imagem sonora proporcionada pelos diversos leitores de ecrã não respeita isto, havendo diversas vezes uma quebra de comunicação enorme entre a pessoa cega e as pessoas em geral. O NVDA respeita o layout da maioria dos sites, o que é uma vantagem a todos os níveis.
Muito mais sobre inclusão em termos de imagem sonora haveria para dizer mas não me vou alongar mais neste tema e desta forma vou dar entrada nas entranhas do NVDA para fazer uma análise às suas funcionalidades que penso ajudarem numa sala de aulas.
Algo que constatei é que os estudantes devem usar auscultadores em determinadas situações, nomeadamente quando não estão a receber informações externas. Já quando estão a tirar apontamentos através do que o professor ou colegas estão a dizer, penso que o mais congruente é não usarem auscultadores porque os mesmos abafam de certa forma os sons externos, adicionando-se ainda o facto de que o leitor de ecrã está a dar ordem ao sintetizador para falar. A utilização de auscultadores nestas situações poderá fazer com que o aluno não capte tão bem as informações provenientes do exterior. Isto acarreta uma desvantagem que pode ser controlada com algum esforço. Em primeiro lugar, o aluno deverá ter em conta o sintetizador de voz que está a utilizar. Quanto mais natural for a voz, mais impacto provocará a mesma nas pessoas presentes na sala. Assim, os sintetizadores que recomendo são o eSpeak e o Eloquence/Via Voice.
O volume do sintetizador de voz deverá estar constantemente ajustado ao som ambiente, de tal forma que para a pessoa que está mais próxima do aluno não pareça mais que um sussurro sem nexo. Desta forma, não haverão distracções com vozes estridentes.
Todo e qualquer tipo de beeps do NVDA deverão ser desactivados (beeps para maiúsculas, beeps quando o rato se mover e beeps em actualizações de barras de progresso). Penso que nas maiúsculas o aumentar entoação deve estar activado (cuidado com o valor da entoação que não deve ser muito elevado. No máximo de 10 a 15) e “anunciar a cada 10% em barras de progresso” deverá estar seleccionado. Desta forma, os beeps agudos desaparecerão. Se se lembrarem de mais alguma coisa, comentem!
| Autor: | diogo |
| Publicado: | Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009, 09:17 |
| Categorias: | acessibilidade, artigos, leitores de ecrã, opinião, Sintetizadores de voz, software, Windows | Etiquetas: | nvda |

Hmm, isto tudo parece-me muito familiar. Até parece que ouvi a mesma coisa apenas à umas horas atrás, não é Diogo? loool. Pois é gente, se alguém tem dúvidas quanto a estas recomendações, eu posso não só concordar com, como também confirmar o seu funcionamento e eficiência, ou não fosse eu vítima de tais acções discretas. Normalmente, sento-me na mesa atrás do Diogo (para quem ainda não percebeu, sou colega dele) e confirmo que estas acções são deveras eficientes, pelo que a utilização de um leitor de ecrã (logo, mais o sintetizador) passam ridiculamente despercebidas, pelo menos a quem não se encontre nas proximidades do utilizador em questão. Ora veja-se, eu, que estou mesmo ali, ao pé do Diogo, e sabendo da existência (e voz) do sintetizador, muitas vezes nem dou pela presença do mesmo, durante as aulas em que o meu colega está, efectivamente, a tirar apontamentos enquanto o professor explica e descreve (ou não) o que está no quadro. Por vezes, quando este assunto vem à baila durante as aulas (sim, na Universidade também há “conversas paralelas” à matéria), fico a pensar se os “vizinhos do lado” apercebem-se sequer de que o computador do tipo com o portátil está a murmurar, ou se pensarão que as moscas naquele dia estão numa de fazer mais barulho.
Concluindo, concordo com estas recomendações, já tendo tido a oportunidade de NÃO as ouvir em acção, inúmeras vezes. Experimentem, e se não funcionarem…bom, podem sempre vir queixar-se ao Diogo.
Ainda bem que falas nisto…. Por acaso já alguém ouviu falar no NVDA no âmbito de ajudas técnicas? Do género, é, também,, uma hipótese?
Acho que vou escrever um artigozinho sobre isto, é pano para mangas…