Quebrando Preconceitos Entre O Ensino Secundário E Superior

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008 por diogo

Infelizmente, Portugal tem um nível elevado de jovens cegos com a escolaridade até ao 12º incompleta. Esta minha informação baseia-se meramente no que tenho vindo a observar ao longo dos últimos anos e jamais em quaisquer dados. Uns dizem que o ensino superior é impossível para cegos, outros afirmam que o acesso às matérias é muito complicado e ainda temos aqueles que declaram ser suficiente o 12º ano porque não necessitam de mais habilitações literárias.
Na minha opinião pessoal e tendo em conta a minha experiência até aqui, acho que os jovens cegos devem adoptar o lema «Se uma pessoa que vê necessita de habilitações literárias ou se pode fazer qualquer trabalho como ir para as obras, eu que sou cego tenho de me esforçar mais para que o meu trabalho seja igualmente reconhecido». Comentando um pouco mais este lema, é óbvio que estamos a ser um pouco autodiscriminatórios ao pensarmos assim mas somos obrigados a isso desde sempre. Por exemplo, uma pessoa cega tem de aprender orientação e mobilidade para conseguir andar na rua. Uma pessoa que vê não precisa nada disto e as coisas são muito mais fáceis. No que se refere ao trabalhar-se nas obras, uma pessoa cega não consegue trabalhar lá porque tem limitações. Com isto, conclui-se também que uma pessoa que vê tem mais facilidades em trabalhar como e onde pretender.
Os métodos utilizados pelos alunos cegos nas aulas durante o encimo básico e secundário são precários e incongruentes. Não faz sentido que aulas de português e matemática sejam gravadas, muito menos que nas de Tecnologias da Informação E Comunicação os alunos não utilizem o computador.
O Braille é fundamental para o estudante, nomeadamente na matemática e física/química para conseguir fazer melhor os exercícios porque o aluno tem sempre um contacto directo com os números. No ensino superior isso já não acontece porque o mesmo ocupa muito espaço e a produção de apontamentos é muito barulhenta. A utilização de tecnologias é talvez a medida mais viável mas contém diversos aspectos a ter-se em conta:
1. A utilização de linhas Braille poderá compensar mas as grafias dos diversos leitores de ecrã contêm erros e pouco se adequam à matemática. Para além disto, estes dispositivos não costumam ser muito práticos para serem transportados e conectados;
2. A matemática no computador implica algum conhecimento dos diversos sinais a tinta, sendo o LaTeX uma boa solução para tentar minimizar-se este problema;
3. O LaTeX requer que o aluno conheça minimamente os seus códigos, o que no início vai provocar algum constrangimento porque a evolução nas aulas não vai decorrer tão bem como pretendia. Mesmo assim, deverá sempre que possível solicitar documentos e exames aos docentes neste formato e também em PDF;
4. Os documentos em PDF poderão ser um auxílio para os estudos mas a grande maioria não é bem lida por leitores de ecrã;
5. Os leitores de ecrã não reconhecem diversos sinais, pelo que a inserção dos mesmos no dicionário dos sintetizadores é uma tarefa que se torna quase obrigatória.
Existirão métodos melhores do que estes que apresentei. Como não tenho conhecimento de outros mais eficazes, fica aqui o registo para quem precisar um dia. Utilizem se quiserem as áreas de edição abaixo para falarem sobre este tema infelizmente tão desconhecido.

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4 Responses to “Quebrando Preconceitos Entre O Ensino Secundário E Superior”

  1. Halison Junior Lunardi diz:

    Que distribuição de LaTex você usa?

    Estou tentando baixar a MikTex, mas, não encontro geito, só da erro o tempo todo…

  2. ruibatista diz:

    Viva,

    Por aqui usa-se a texlive em linux, é bastante boa. Quando usava windows usava o latex incluido no cygwin, penso que a distribuição era o tetex.

  3. Halison Junior Lunardi diz:

    Desculpe-me a pergunta, mas, usava o Cygwin com o jaws?

    Ocorre que nunca o usei, daí a curiosidade…, será possível ainda rodar o x nele?

  4. ruibatista diz:

    Usava com qualquer leitor de ecrã, mas o pouco de x que tentei rodar não era acessível… Só programas na consola mesmo.