Eclipse, exemplo de acessibilidade

Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007 por ruibatista

Por vezes, mesmo quando os profetas da desgraça têm motivos mais que suficientes para gritar aos 7 ventos as suas apocalípticas profecias sobre acessibilidade em softwares, aparecem algumas boas surpresas que, quem sabe, podem tornar o dia dum geek (ou talvez não) como eu mais alegre e primaveril.

A plataforma open source eclipse, ambiente de desenvolvimento para Java e, recorrendo a plugins, tudo o que se imagine sempre foi um bom exemplo de acessibilidade e usabilidade desde as suas origens, mesmo quando propriedade da IBM. Isto não é novidade. A grande novidade está no facto de mesmo evoluindo, e tornando-se uma plataforma realmente complexa e multifacetada, a acessibilidade continua a ser uma constante. Tal acessibilidade não se deve nem a uma preocupação especial dos programadores, nem muito menos a um dever estabelecido da a ter: deve-se à utilização de controlos standard, interfaces intuitivas e boa usabilidade. No que respeita aos leitores de ecrã, teclas de atalho para a maioria das funções (as que não a têm predefinidas podem ser associadas a um comando), a utilização de controlos standard é fundamental para o nível de acessibilidade atingido pelo eclipse: os próprios controlos já têm acessibilidade incorporada então não existe a necessidade de a implementar (ou pelo menos de a implementar de raiz). E tal facto não é só importante no sistema operativo Windows, a vantagem da interface do eclipse ser construída em SWT ((biblioteca de construção de interfaces gráficas em Java que utiliza os controlos nativos do sistema onde corre)) traz vantagens de acessibilidade também noutros sistemas. Chegamos assim ao facto mais surpreendente (e razão da publicação deste post): o eclipse é quase tão acessível (para efeitos práticos não existe grande diferença) em windows como no desktop gnome ((versão 2.18 ubuntu 7.04 para que conste)). Ao testar a acessibilidade do dito eclipse com o leitor de ecrã Orca versão 2.19.90, criei o clássico helloworld em Java ((O eclipse têm plugins para desenvolvimento em php, python, ruby, c/c++,… assim não se destina apenas a aplicações Java, mesmo que o ambiente em si tenha sido programado em Java.)) tão fácil e intuitivamente como o tenho feito em Windows. Desde criar o projecto, ler e escrever no editor, recorrer à ajuda contextual para escrever código (autocomplition), compilar, correr e ler o output na consola tudo foi acessível e nem uma vez se quer tive de recorrer a comandos especiais do leitor de ecrã (flat review por exemplo). Esta fantástica acessibilidade deve-se, mais uma vez, ao SWT, que utilizando, no gnome, controlos da biblioteca GTK2, ganha como bónus a acessibilidade proporcionada pela at-spi, equivalente ((talvez não equivalente, mas parecido ao MSAA no Windows)) do MSAA no Microsoft Windows. ((de referir que a acessibilidade dos controlos swt no Windows é proporcionada pelo MSAA))

Posto isto, meio em tom de desafio aos profetas da desgraça da acessibilidade no open source, gostaria que testassem a acessibilidade do visual studio da Microsoft, e comparassem…. Não são ambientes assim tão distintos (em objectivos gerais – ambiente de desenvolvimento para programadores e afins)…

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