Orientação e Mobilidade Virtual (OMV)
A utilização do Braille e da voz como auxiliares na orientação e mobilidade virtual complementam-se e são o software e hardware que estão em maior contacto com o utilizador com cegueira. Para uma pessoa saber trabalhar com este tipo de tecnologias tem que desenvolver a sua orientação, a qual está interligada com a mobilidade. Na verdade, orientação virtual são todos e quaisquer métodos que o utilizador usa para se poder movimentar com toda a fiabilidade, conforto e segurança. A mobilidade virtual é sem dúvida a forma como o utilizador interage com um determinado equipamento.
Será a orientação e mobilidade virtual só para pessoas com deficiência visual? Não. A orientação e mobilidade virtual estende-se, desde logo, a toda e qualquer pessoa que utilize equipamentos informáticos. Se uma determinada tecnologia não permite a mobilidade em plenas condições a uma pessoa, esta estará condicionada. Só a orientação virtual não lhe permitirá efectuar uma dada tarefa com sucesso. O mesmo acontece com a mobilidade virtual. É sempre necessária uma orientação.
Que métodos existem para facilitar a orientação e mobilidade virtual (OMV) de uma pessoa? Existe diverso hardware e software que facilita de forma espectacular a OMV de uma pessoa. Os leitores de ecrã, sintetizadores de voz e linhas Braille são um bom exemplo disso. Um leitor de ecrã facilita a orientação de uma pessoa porque indica através de um sintetizador e/ou de uma linha Braille as informações necessárias para que uma pessoa cega se oriente (a tecla de atalho Ins + T do JAWS e NVDA e o F10 do tipo de teclado “função” do Hal dão informações sobre o nome da janela actual ao utilizador). A verbosidade (Hal) ou eloquência (JAWS) é a informação adicional que o utilizador recebe para lidar com determinado evento (O JAWS por vezes dá a informação “Para se mover para itens, use as setas” e o Hal “utilize as setas para andar ao longo dos itens, prima Enter para activar”). Estas informações são convertidas para voz através de um sintetizador de voz ou para Braille através de uma linha Braille.
Tendo em conta o parágrafo anterior, é necessário afirmar que é perfeitamente normal encontrarmos uma pessoa cega a utilizar a fala de um sintetizador com uma velocidade muito elevada. Para os indivíduos que necessitam de informações para se movimentarem e orientarem tão rapidamente quanto uma pessoa que tem visão, torna-se então necessária a utilização da fala de um sintetizador com uma velocidade elevada.
Quanto mais entoação tiver uma voz, esta é melhor empreendida pelo destinatário (é como exemplo a publicidade). Desta maneira, torna-se necessária uma boa entoação por parte de um sintetizador de voz. Uma fala com entoação não significa que esta tenha de ter uma ênfase muito elevada. Há que haver controlo na voz. Os sintetizadores de voz inteligíveis têm por enquanto uma melhor entoação do que os sintetizadores de voz naturais. O que se verifica é que nos motores de voz naturais quando se tenta dar entoação às frases, estes tornam-se mais incomodativos para os indivíduos que fazem parte do exterior envolvente à pessoa cega. As frases exclamativas quase que são ignoradas pelos sintetizadores deste género. Os actuais que têm essa capacidade não parecem ser nada profissionais. São gravadas palavras exclamadas. Isto faz com que algumas frases tenham entoação exclamativa e outras não. Não é isto que se pretende de um motor de voz. O que o Homem está a tentar descobrir é através da utilização de diversas equações matemáticas capazes de fazerem a entoação correcta através da algoritmia.
A forma como um sintetizador detecta o texto também é muito importante. Repare-se no seguinte texto:
Acessibilidade Web, uma matéria esquecida pelo governo
Actualmente não é dada aos jovens que aprendem HTML noções da Acessibilidade Web. Isto é algo muito preocupante porque futuramente não teremos indivíduos sensibilizados para este problema. Talvez a ignorância daqueles que fazem os programas das disciplinas no presente se venha a reflectir na ignorância de Portugal no futuro.
No título, o sintetizador teria que fazer a pausa correspondente à vírgula “,” e também deveria dar uma entoação de continuidade às últimas sílabas da palavra que é procedida pelo caracter mencionado. Para além disto, o sintetizador teria que fazer uma pausa na linha em branco. Já existem sintetizadores que conseguem fazer essa pausa nas linhas de intervalo, dando desta maneira ao utilizador a imagem sonora correcta do texto que ele está a ouvir.
No que se refere às frases interrogativas, os sintetizadores conseguem interpretar e exprimir correctamente uma determinada questão.
Quanto ao sintetizador ter diversos tons de voz (grave ou agudo), essa também é uma das características muito boas que têm os motores de voz inteligíveis. Já nos naturais, por enquanto esta característica não está a ser muito bem implementada. Quando alteramos esta propriedade na voz, esta têm a tendência em ficar mais estridente.
Um sintetizador natural tem a tendência em dizer as letras quando as estamos a digitar de uma forma bastante agressiva (A Madalena da Scan Soft pronuncia a letra “i” de uma maneira bastante agressiva) enquanto isto não acontece com os motores de voz inteligíveis.
A velocidade de reacção dos sintetizadores naturais é claramente inferior à dos sintetizadores inteligíveis.
Em contrapartida, os sintetizadores de voz naturais são mais perceptíveis do que os motores de voz inteligíveis.
Quando uma pessoa cega está a aprender informática básica, deveram ser utilizados sintetizadores inteligíveis porque actualmente estes são sem dúvida os preferidos entre este público. Para além disto, actualmente nem todos os sistemas operativos têm instalado por padrão sintetizadores naturais. As vantagens não são só notórias na orientação e mobilidade virtual. Na orientação e mobilidade real isto vai ajudar por exemplo na concentração num só som no meio de vários (Por exemplo, distinguir-se um carro no meio de vários).
No que se refere ao Braille, este é o único método com que uma pessoa surdocega consegue comunicar com um computador. Para além disto, a utilização de linhas Braille é mais adequada para a detecção de erros de ortografia. Normalmente, a utilização do Braille proporciona uma interacção mais lenta com o computador do que a de um sintetizador. Isto deve-se principalmente à fraca velocidade de leitura dos utilizadores deste método de escrita e leitura. Para concluir, é muito mais fácil encontrarmos um sintetizador de voz instalado do que uma linha Braille.
| Autor: | diogo |
| Publicado: | Segunda-feira, 9 de Julho de 2007, 10:30 |
| Categorias: | acessibilidade, artigos, hardware, leitores de ecrã, Sintetizadores de voz, software | Etiquetas: |
